Contos familiares

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Hoje eu vou ser rápida, só quero um pouco mais do nosso cotidiano, coisas que nem sempre paramos para escutar.

Maria era cantora.
Era uma vez uma garota de aproximadamente quinze ou dezesseis anos que gostava de cantar. Ela tinha uma família grande e vários irmãos, que moravam em Araguari, Minas Gerais. Você pode imaginar que em 1945, as coisas eram muito diferentes. A cidade era pequena e todos se conheciam, a roça estava presente nas vidas, mas Maria era feliz, e provavelmente, cantava muito no chuveiro.

Então sua irmã Dália cantou junto. E as duas cantavam sem parar, alegrando a vizinhança. Não demorou muito para fazerem um relativo sucesso, e elas ficaram famosas em Araguari, conhecendo músicos amigos e aprendendo as músicas sertanejas da época.


Essas são as fotos da Dália, olhem só como ela era bonita.

     

"Que beijinho doce, que ele tem..." é o que elas cantavam. E ah! Maria adorava pular carnaval. O carnaval da década de quarenta era diferente, só havia marchinhas, mas muito alegre. A garota gostava de sair às ruas vestida de pirata enquanto dançava com Dália. Todas as noites, elas ficavam escutando as modas de viola que tocavam na rádio e escutavam as notícias.

                                                 Dália e Maria.

Assim surgiu as Irmãs Diniz, cantoras de sertanejo. Porém, Maria era muito nova, e não podia viajar muito. Mesmo assim, elas se apresentavam nas rádios da cidade! Quanto sucesso, quanta realização da adolescente! Mas aos poucos as coisas mudaram. Depois de um tempo, Maria teve que se mudar de Araguari para Nova Aurora, em Goiás, e a dupla se desfez. Ela, já com dezoito anos, conheceu seu futuro marido, um jovem alto e esbelto de sotaque goiano chamado Benedito Carneiro, e já em 1949, os dois trocavam cartões apaixonados.


                                         As duas cantando na rádio no final dos anos quarenta.

Maria e Benedito se casaram em 1950, e tiveram vários filhos, sendo o primeiro deles nascido logo dois anos depois, o Reinaldo. Que por obséquio é meu pai. Maria ficou casada por trinta anos, até que em 1980, o "Ditinho" morreu de cirrose. Ela nunca se casou novamente, e não se tornou uma cantora famosa, mas foi uma boa mãe e continua sendo. Eu sempre achei engraçadinho o jeito que ela ficava cantando baixo na hora de cozinhar o arroz, mas não imaginava sobre seu passado. O mais engraçado é que eu acabei tendo esse hábito também, e geralmente quando estou sozinha gosto de ficar cantando as melodias, ou "humming". Nunca conheci meu avô, mas todos sempre me disseram que ele um bom homem muito conhecido.

                                                           Meu papai quando era neném (otii)


Eu só escrevi isso porque é sempre interessante saber sobre nossa família. Hoje, vovó tem 82 anos mas continua fazendo as coisas que sempre gostou de fazer. Dália também está viva. Agora eu te pergunto se você conhece as histórias e os fatos da sua família, porque sempre tem. É importante dar valor ao que temos de precioso, porque nós pertencemos àquelas pessoas.
Essa é a pequena mensagem que eu deixo hoje, para nós conhecermos melhor as histórias daqueles que nos tornam o que somos, pois se compararmos, sempre vamos achar algo parecido. Se você sabe bem sobre sua família, ótimo! Mas se não, que tal começar?

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