O meu foi simples, mas bom. Como eu estava em uma cidade de interior, não havia uma festa muito ornamentada nem nada. Foi na praça mesmo, junto de várias pessoas, no meio de um mini show de artista local.
Mas o triunfo mesmo foi nos últimos momentos de 2012. Eu nunca fiquei com tanta vergonha alheia na minha vida. A dita prefeita de Rondon (uma mulher até admirável, que já asfaltou mais ruas do que o safado que ficou 12 anos no poder antes. Corrupção dá nojo, meu pai), preparou vários fogos e trouxe um cara que estava cantando sertanejo sem conseguir a mínima atenção do público (quando eu vou para o Pará eu quero ouvir forró!) até que o show acabou e ela entrou e começou a fazer um discurso à uns cinco minutos antes da virada. Pois bem, deu meia-noite, o ano virou e ela continuou falando. Falou tanto que as pessoas começaram a vaiar, e depois de um tempo todos se abraçaram, desejando um bom ano novo (e ela não percebeu!). Meu pai ficou com raiva, eu também, mas a situação era tao absurda que ri enquanto ela sacudia os braços agradecendo à prefeitura (me senti em um dos episódios de O bem amado). Depois fizeram uma contagem regressiva desanimada e soltaram os fogos.
Mas a prefeita não aguentou e falou mais depois disso. Eu ri muito!
pavulagem: linguagem paraense que quer dizer frescura.
Mesmo assim, eu dancei e ri, pois não resisto à uma aglomeração popular. O forró estava bom, mas os muleques metidos a sabidos começaram a nos preocupar. Depois que voltei para casa, fiquei pensando nesse tipo de vida. Escutei tanto aquelas notícias de que fulana filha de Dona ciclana foi grávida de um homem que não quis assumir. Vovó até parece Comando Policial, pois quase todo dia alguém morre e ela escuta os que os vizinhos dizem. A maioria são jovens que se metem com drogas ou ficam devendo para traficantes e entram na lista negra, morrendo logo em seguida. Aí só resta as mães chorando e a cidade fofocando. Interior é isso. Quantas meninas gostam de viver uma vida sem regras e acabam se envolvendo com homens perigosos e gangues, engravidando jovens demais e o pior, correndo perigo de vida?
Fico pensando se essas pessoas não esperam da vida algo melhor. Ou, melhor dizendo, fazem da vida algo melhor. Será que eles não pensam que um dia a juventude vai acabar e eles ficarão velhos (se ficarem!), feios e sozinhos? Que seus filhos nascidos precocemente vão seguir o mesmo caminho e eles sofrerão assim como seus pais morreram de preocupação? Será que não percebem que no final ninguém vai se lembrar deles com boas palavras?
"Morreu pra lá, deixou três filhos", é sempre o que vovó diz. Ela já está acostumada.
"Todas as pessoas solitárias, a quem elas pertencem?" diz a letra de Eleanor Rigby.
Acho isso triste. São pessoas sem ambição. Sem a menor vontade de viver feliz. Eu vou falar a verdade, sou ambiciosa. Quero vencer nessa vida, é ruim? Eu não acho. Ambição comedida faz bem para nós, não aquela desgovernada como vemos nas novelas das oito. Uma vez escutei que nossa sociedade pregava que não deveríamos ser ambiciosos. Eu discordo, acho que no mundo capitalista em que vivemos, é a coisa mais comum. E não é errado. Errado para mim são essas tantas pessoas sem conhecimento e oportunidades que vivem à margem da sociedade revirando as ruas à procura de prazeres mundanos e imediatos. Mal sabem que no fim, é trágico. Quando eu era criança, pensava antes de dormir: "Deve haver algo que me faça ser alguém nesse mundo". Eu ainda penso nisso, e acho que devemos procurar coisas que nos façam ser mais reconhecidos. Para quem corre atrás, é merecido...
Bem, acho que estou ficando existencialista demais.
No mais, eu só desejo oportunidades e reconhecimento para vocês em 2013, seja no trabalho, na faculdade ou na escola, sucesso para todos.


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