Hoje eu só vim dar uma singela declaração da minha indignidade.
Já estou cansada de ver tanta morte nos jornais de hoje. Todos os dias só vimos notícias ruins passando na TV, gente morrendo, gente matando, está completamente generalizado. Acho que se eu pudesse espremer um jornal, talvez até saísse sangue.
Como eu moro em Goiânia, soube primeiro da bomba caseira que jogaram no carro de um casal. A notícia se espalhou tanto que foi parar no Jornal Nacional, e todo mundo ficou boquiaberto. O casal está lá hoje, internado em um hospital, cheio de ataduras, parecendo duas múmias. A garota levou queimaduras de terceiro grau, e queimou o rosto. Eu realmente tenho medo que as queimaduras desfigurem o rosto dela a ponto de ficar igual ao caso triste da Ellen, uma menina linda que sofreu um acidente horrível de carro porque o motorista estava bêbado. O resultado foi mais horrível: o rosto de Ellen ficou totalmente desfigurado, nada parecido com os traços que tinha antes. Um futuro inteiro jogado fora.
Os acidentes de trânsito estão cada vez mais frequentes e piores. Um monte de irresponsáveis idiotas que dirigem achando que nunca vai acontecer nada com eles. Bebem e continuam dirigindo, fazendo manobras arriscadas. Jovens que não tem nada na cabeça e querem mostrar que são importantes para seus amigos arrancam para-brisas e fazem assaltos. Mais uma vez, gente que não tem ambição.
Para mim o latrocínio é o pior. Além de assaltarem, roubarem de tudo (até mesmo máquinas em braile, agora me diga, o que eles farão com máquinas de braile?!) e depois matam. Simples assim.
- Por favor, pode levar, mas não mate minha filha! - disse a mulher no carro.
Mas o assaltante não teve dó e só por isso atirou na menina no banco de trás. Ele morreu depois.
É muita falta de Deus.
Por causa de sete reais, um dono de restaurante esfaqueia o cliente. Por causa de desperdício de comida no prato, uma gangue mata o dono de um boteco. Ninguém mais pode namorar porque os ex "surtam" e fazem coisas horríveis. Atropelam, atiram, bombardeiam, sequestram. Em Porto Velho, a garota adolescente foi morta a tiros pelo ex-namorado em um ponto de ônibus, e ela morreu nos braços do pai. No outro dia, a notícia já havia se espalhado pela cidade toda. Ficaram todos chocados. Nos EUA, garotos "complexados" fazem massacres em escolas. Escolas, meu Deus, que deveriam ser um lugar seguro. Hoje no Brasil o que não falta é violência na escola. Alunos que pensam que tem o rei na barriga e batem nos outros.
E não pouparam nem as velhinhas de cem anos. É um absurdo pensar como podem maltratar idosos ou abandoná-los em más condições. Não pensam que um dia serão assim (se chegarem a ser assim). Hoje as pessoas só pensam no próprio umbigo, pois se pensassem nos outros e nas consequências, nas pessoas envolvidas e no futuro delas, não fariam isso. É um problema mundial. É questão de poder.
Eu estou exausta e não aguento mais ouvir sobre assassinatos. Só não falo coisas como "O mundo é um lugar ruim" ou "Eu odeio a humanidade" porque acho ridículo. Você odeia a si mesmo? Parabéns...
Enfim, só quis deixar bem clara minha opinião sobre o rumo que estamos tomando. Pense bem no que faz nos momentos de fúria, para que uma tragédia aconteça, não é exigido muito.
Caroline Carneiro.
A vencedora
Postado por
Carol Carneiro
às
15:41
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Desculpe a demora, gente, eu vivo numa correria só esses dias...
Uma vez vi na "Veja" que entre a eterna guerra dos sexos, a mulher havia ganhado.
Mesmo fazendo parte desse time, eu concordo. Hoje as mulheres conseguiram ser mais valorizadas, mas respeitadas e apontadas como um alicerce em nossa sociedade.
Hoje elas podem trabalhar em lugares antes habitados apenas pelos homens, já conhecemos engenheiras, advogadas, juízas, delegadas, mecânicas, políticas e líderes, todas exercendo cargos difíceis, mas dando um toque de feminilidade a eles. Hoje os homens querem ter filhos mais cedo, há vários casais em que ele já quer se casar e fazer uma família, mas a mulher reluta e espera ter mais prestígio no trabalho e mais estabilidade. Conheço um monte de adolescentes que escolhem não ter filhos, seria isso uma inversão de quadros? Penso que não. É apenas a mulher explorando o que não tinha antes.
Porém, antes não era assim. De uns cinquenta ou sessenta anos atrás os tabus e preconceitos impostos pela sociedade em si começaram a ser quebrados. Nos anos sessenta, muitos já falavam em homossexualidade, ecologia e uma valorização da mulher, porém não era tão popular. Naquela época, havia uma mulher brasileira chamada Leila Diniz, uma atriz que causava muita polêmica por defender seus direitos e a liberdade de expressão. Quebrou todos os tabus, pregou o amor livre e é considerada um símbolo da revolução feminina, mas morreu cedo, em 1972, num acidente aéreo.
Uma vez vi na "Veja" que entre a eterna guerra dos sexos, a mulher havia ganhado.
Mesmo fazendo parte desse time, eu concordo. Hoje as mulheres conseguiram ser mais valorizadas, mas respeitadas e apontadas como um alicerce em nossa sociedade.
Hoje elas podem trabalhar em lugares antes habitados apenas pelos homens, já conhecemos engenheiras, advogadas, juízas, delegadas, mecânicas, políticas e líderes, todas exercendo cargos difíceis, mas dando um toque de feminilidade a eles. Hoje os homens querem ter filhos mais cedo, há vários casais em que ele já quer se casar e fazer uma família, mas a mulher reluta e espera ter mais prestígio no trabalho e mais estabilidade. Conheço um monte de adolescentes que escolhem não ter filhos, seria isso uma inversão de quadros? Penso que não. É apenas a mulher explorando o que não tinha antes.
Porém, antes não era assim. De uns cinquenta ou sessenta anos atrás os tabus e preconceitos impostos pela sociedade em si começaram a ser quebrados. Nos anos sessenta, muitos já falavam em homossexualidade, ecologia e uma valorização da mulher, porém não era tão popular. Naquela época, havia uma mulher brasileira chamada Leila Diniz, uma atriz que causava muita polêmica por defender seus direitos e a liberdade de expressão. Quebrou todos os tabus, pregou o amor livre e é considerada um símbolo da revolução feminina, mas morreu cedo, em 1972, num acidente aéreo.
Antigamente, nós não tínhamos nem um terço do reconhecimento e do direito que temos hoje, odos sabem que uma mulher divorciada no começo do século era como a morte, mas sempre existiram mulheres a frente de seu tempo, que foram grandes líderes e que podem nos inspirar a ser boas pessoas (isso também vale aos homens, não se preocupem):
- Cleópatra: Comandou o gigantesco império egípcio e virou uma lenda por seus casos com Marco Antônio, morreu 30 anos antes de Jesus nascer.
- Maria: Por que não? Uma grande mulher com muitos ensinamentos.
- Joana Dar'c: Com apenas 19 anos ela comandou um exército inteiro hoje é considerada santa.
- Rainha Elizabeth I: Mulher forte e muito inteligente, governou a Inglaterra (e sua marinha invencível) por muito tempo, no século XVI.
- Rainha Antonieta: Mulher do rei da França no século XVIII, morreu decapitada. Já ri muito com ela.
- Rainha Vitória: mais uma rainha forte que comandou a Inglaterra em 1800.
- Anita Garibaldi: Mulher revolucionária que acompanhou Giuseppe em suas lutas. Extremamente corajosa.
- Marie Curie: Cientista inteligentíssima que descobriu os elementos Rádio e Polônio.
- Carmem Miranda: símbolo do Brasil, atriz e cantora e precursora do Tropicalismo.
- Madre Teresa de Calcutá: um exemplo para quem quer ajudar pessoas.
- Olga Benário: Revolucionária e espiã comunista (e não vamos criticá-la por isso, cada um tem seus ideais, né?).
- Rainha Elizabeth II: Todos nós sabemos o quanto ela é popular no Reino Unido.
- Margareth Thatcher: Outra britânica incrível que se tornou a primeira primeira-ministra da Grã-Bretânia, a "Dama de Ferro".
- Princesa Diana: solidária, a "princesa do povo" que morreu de forma trágica.
- Maria da Penha: ela apanhava do marido e mesmo assim teve coragem de criar uma lei com seu nome que ajuda muita gente.
- Quem sabe você?
Hoje a mulher contemporânea tem um novo perfil. Enquanto há alguns anos atrás existia a submissa, que cuidava da casa e dos filhos, a nova se libertou. E conquistas levam a novas consequências. Não canso de ver mães estressadas, atarefadas, que comem muito e dormem pouco. Elas se dividem em trabalhadoras, mães, esposas e mais, isso faz com que se sintam mais esgotadas. É o preço pelo o que podem fazer, mas isso não quer dizer que seja ruim. Também não estou menosprezando os homens, que são muito importantes em nossas vidas, isso é apenas a realidade do que todas vivem.
As feministas também estão aí. Existem vários protestos hoje para melhores condições e o fim dos maus tratos. Pois no oriente, a coisa é diferente, os direitos são poucos e os deveres muitos. Na Índia, existe um grupo de mulheres vestidas de rosa que sempre protestam por melhorias em suas vidas. Por educação, pelo fim do preconceito e da violência. Nós soubemos da jovem indiana que morreu depois de ser estuprada coletivamente, o que é um abusrdo. Mais absurdo é saber que no ano passado, a cada 20 minutos uma era estuprada. O que elas fazem é impressionável.
Mas há alguns em que confesso que não admiro. O grupo La Femme parece que procura qualquer causa não tão vinculada às mulheres para protestas, sem nenhum tipo de pudor, ainda. Querem baderna, isso sim.
No final, devemos é comemorar por ter mais espaço e mais respeito no mundo. Ele mudou, e nós também, e não podemos desperdiçar a chance de com nossas forças femininas melhorar o mundo.
Só um giro pelo o que acontece nesse universo. Beijos!
Arabella e a profecia.
Postado por
Carol Carneiro
às
14:25
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Hoje eu trouxe um trecho grande de "A Damanegra" para vocês.
Curtem!
"No
café-da-manhã, todas nós conversamos sobre a minha vinda, esclareceram como
souberam da notícia, como ficaram na vontade de me conhecer e etc. Confesso que
me recuperei depois do vexame da roupa me sentindo “O” assunto da conversa,
pena que não durou muito tempo.
Algo muito grave aconteceu.
Arabella não havia falado um pio
sobre nada, sempre com seu olhar sério e fatal. Mas eu queria que ela dissesse
alguma coisa.
- Tudo bem, Arabella? –
Perguntei, mais alto que o normal, na maior cara-de-pau.
Ao contrário do que eu esperava,
ela olhou para mim com a maior cara de choro do mundo, que nem criança de sete
anos consegue fazer. Eu fixei meus olhos nos dela, e ela desabou a chorar alto.
- Arabella, o que houve? –
perguntaram as meninas, se aproximando dela, enquanto eu fiquei parada, com a
consciência pesada.
OK, não sei o que eu fiz, mas não
foi muito legal de minha parte.
Mas antes que eu pensasse em algo
para acalmá-la, Arabella engoliu o choro (literalmente!), se levantou da mesa,
debruçou os braços na toalha de mesa, e praticamente gritou na minha cara:
- Eu profetizo o seu futuro, Jennifer Montaua, aqui e agora.
Muitas coisas na minha cabeça não
batiam com o que eu via.
Arabella não estava em seu
perfeito estado. Seus olhos haviam escurecido totalmente, dando um ar
assustador a sua beleza. Ela havia ficado muito pálida, e seus lábios ficaram
brancos e ressecados. Seu cabelo ficou desarrumado, como se levasse um choque
elétrico, seu sangue ferveu e quase saiu, e seu hálito do nada ficou podre.
Não havia dúvidas de que ela
estava possuída. E para o meu martírio ela continuou sua profecia.
- Não vai demorar, você vai sofrer um acidente.
Todo mundo ficou pasmo, e Kimberly
soltou um gritinho agudo.
- Você vai conhecer a morte e viver com pessoas que te querem mal.
Dessa vez fui eu que soltei um grito
abafado, que coisa mais horrível! Continuei olhando em seus olhos, fixamente.
Era algo estranho, como se eu estivesse em transe. Eu simplesmente não consegui
me mexer.
- Sua vida vai mudar para sempre, e você vai assumir o fardo da noite,
vivendo sem destino, sem direção, e sem objetivo, você vai ser uma dama negra.
Ouça minhas palavras, Jennifer Montaua, sua vida vai mudar, para pior.
E antes que alguém pudesse dizer
alguma coisa, Arabella (ou quem estava em seu corpo) soltou um suspiro. Os
braços se afrouxaram na mesa, o corpo ficou mole, deixando-se cair no chão, e
desmaiou.
...
Depois de todo aquele filme de
terror que acabara de acontecer, as meninas finalmente se mexeram. Kimberly e
Sam ajudaram Arabella a se levantar, e a colocaram no sofá mais próximo. Jane
arrumou rapidamente o resto do café-da-manhã (pois tínhamos certeza que ninguém
mais ia conseguir comer) e Diane foi correndo para o seu quarto provavelmente vomitar.
Eu fiquei ali, na minha cadeira, imóvel, ainda chocada.
Uma profecia, alguém tinha feito uma profecia para mim, que como deu
pra perceber, falava de coisas horríveis, como: sofrer um acidente, conhecer a
morte e viver com alguém que me quer o mal. Fiquei passando naquelas palavras
malditas na minha cabeça. Você vai
assumir o fardo da noite, vivendo sem destino, sem direção, sem objetivo. Meu
corpo tremeu só de pensar nessa frase. Uma vida sem objetivo é simplesmente
impossível para alguém que tem a cabeça no lugar, e tipo, eu tinha muito disso.
Sempre planejei cuidadosamente a minha vida, decidindo muito cedo o que queria
ser, no que queria me formar, com que tipo de pessoa queria me casar... É, é
meio estranho pensar com quem vamos casar, mas fala sério, qual garota nunca
pensou num homem perfeito, na qual você escolheria sem hesitação para viver
junto? Eu também pensei, mas agora, a vida que eu sempre quis ter pode estar
ameaçada.
Ou talvez seja só uma brincadeira
de mau gosto que as meninas quiseram fazer comigo, só pra me assustar no
primeiro dia de aula. Brincadeira idiota. Sempre odiei isso. Mas pensando bem,
não tinha como ser apenas uma
brincadeira. Parecia ser muito sério! Arabella mudou completamente, com seus
olhos totalmente pretos, como era possível isso ser forjado?Como era possível a
palidez e o ressecamento dos lábios, o cabelo bagunçado e aquele hálito forte
(quando eu disse forte, não aliviei, era horrível) serem forjados? E as
expressões nos rostos das meninas da república, de pura preocupação e
nervosismo? Não, não era apenas uma brincadeira, era verdade, e eu estava
passando por sérios apuros."
Obrigada!
Interiores
Postado por
Carol Carneiro
às
14:53
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Então, como foram seus réveillons? 2013 começou bem?
O meu foi simples, mas bom. Como eu estava em uma cidade de interior, não havia uma festa muito ornamentada nem nada. Foi na praça mesmo, junto de várias pessoas, no meio de um mini show de artista local.
Mas o triunfo mesmo foi nos últimos momentos de 2012. Eu nunca fiquei com tanta vergonha alheia na minha vida. A dita prefeita de Rondon (uma mulher até admirável, que já asfaltou mais ruas do que o safado que ficou 12 anos no poder antes. Corrupção dá nojo, meu pai), preparou vários fogos e trouxe um cara que estava cantando sertanejo sem conseguir a mínima atenção do público (quando eu vou para o Pará eu quero ouvir forró!) até que o show acabou e ela entrou e começou a fazer um discurso à uns cinco minutos antes da virada. Pois bem, deu meia-noite, o ano virou e ela continuou falando. Falou tanto que as pessoas começaram a vaiar, e depois de um tempo todos se abraçaram, desejando um bom ano novo (e ela não percebeu!). Meu pai ficou com raiva, eu também, mas a situação era tao absurda que ri enquanto ela sacudia os braços agradecendo à prefeitura (me senti em um dos episódios de O bem amado). Depois fizeram uma contagem regressiva desanimada e soltaram os fogos.
Mas a prefeita não aguentou e falou mais depois disso. Eu ri muito!
Mas enfim, os fogos foram bonitos e depois veio a real festa, a Banda da Loirinha (uma mulher oxigenada de coxas grossas e vestido colado que gritava tão forte e alto que eu não entendi uma palavra do que ela disse. Ah sim! Minha mãe disse que tinha uma música que ela falava: "DEIXA DE PAVULAGEM!"
pavulagem: linguagem paraense que quer dizer frescura.
Mesmo assim, eu dancei e ri, pois não resisto à uma aglomeração popular. O forró estava bom, mas os muleques metidos a sabidos começaram a nos preocupar. Depois que voltei para casa, fiquei pensando nesse tipo de vida. Escutei tanto aquelas notícias de que fulana filha de Dona ciclana foi grávida de um homem que não quis assumir. Vovó até parece Comando Policial, pois quase todo dia alguém morre e ela escuta os que os vizinhos dizem. A maioria são jovens que se metem com drogas ou ficam devendo para traficantes e entram na lista negra, morrendo logo em seguida. Aí só resta as mães chorando e a cidade fofocando. Interior é isso. Quantas meninas gostam de viver uma vida sem regras e acabam se envolvendo com homens perigosos e gangues, engravidando jovens demais e o pior, correndo perigo de vida?
Fico pensando se essas pessoas não esperam da vida algo melhor. Ou, melhor dizendo, fazem da vida algo melhor. Será que eles não pensam que um dia a juventude vai acabar e eles ficarão velhos (se ficarem!), feios e sozinhos? Que seus filhos nascidos precocemente vão seguir o mesmo caminho e eles sofrerão assim como seus pais morreram de preocupação? Será que não percebem que no final ninguém vai se lembrar deles com boas palavras?
"Morreu pra lá, deixou três filhos", é sempre o que vovó diz. Ela já está acostumada.
"Todas as pessoas solitárias, a quem elas pertencem?" diz a letra de Eleanor Rigby.
Acho isso triste. São pessoas sem ambição. Sem a menor vontade de viver feliz. Eu vou falar a verdade, sou ambiciosa. Quero vencer nessa vida, é ruim? Eu não acho. Ambição comedida faz bem para nós, não aquela desgovernada como vemos nas novelas das oito. Uma vez escutei que nossa sociedade pregava que não deveríamos ser ambiciosos. Eu discordo, acho que no mundo capitalista em que vivemos, é a coisa mais comum. E não é errado. Errado para mim são essas tantas pessoas sem conhecimento e oportunidades que vivem à margem da sociedade revirando as ruas à procura de prazeres mundanos e imediatos. Mal sabem que no fim, é trágico. Quando eu era criança, pensava antes de dormir: "Deve haver algo que me faça ser alguém nesse mundo". Eu ainda penso nisso, e acho que devemos procurar coisas que nos façam ser mais reconhecidos. Para quem corre atrás, é merecido...
Bem, acho que estou ficando existencialista demais.
No mais, eu só desejo oportunidades e reconhecimento para vocês em 2013, seja no trabalho, na faculdade ou na escola, sucesso para todos.
O meu foi simples, mas bom. Como eu estava em uma cidade de interior, não havia uma festa muito ornamentada nem nada. Foi na praça mesmo, junto de várias pessoas, no meio de um mini show de artista local.
Mas o triunfo mesmo foi nos últimos momentos de 2012. Eu nunca fiquei com tanta vergonha alheia na minha vida. A dita prefeita de Rondon (uma mulher até admirável, que já asfaltou mais ruas do que o safado que ficou 12 anos no poder antes. Corrupção dá nojo, meu pai), preparou vários fogos e trouxe um cara que estava cantando sertanejo sem conseguir a mínima atenção do público (quando eu vou para o Pará eu quero ouvir forró!) até que o show acabou e ela entrou e começou a fazer um discurso à uns cinco minutos antes da virada. Pois bem, deu meia-noite, o ano virou e ela continuou falando. Falou tanto que as pessoas começaram a vaiar, e depois de um tempo todos se abraçaram, desejando um bom ano novo (e ela não percebeu!). Meu pai ficou com raiva, eu também, mas a situação era tao absurda que ri enquanto ela sacudia os braços agradecendo à prefeitura (me senti em um dos episódios de O bem amado). Depois fizeram uma contagem regressiva desanimada e soltaram os fogos.
Mas a prefeita não aguentou e falou mais depois disso. Eu ri muito!
pavulagem: linguagem paraense que quer dizer frescura.
Mesmo assim, eu dancei e ri, pois não resisto à uma aglomeração popular. O forró estava bom, mas os muleques metidos a sabidos começaram a nos preocupar. Depois que voltei para casa, fiquei pensando nesse tipo de vida. Escutei tanto aquelas notícias de que fulana filha de Dona ciclana foi grávida de um homem que não quis assumir. Vovó até parece Comando Policial, pois quase todo dia alguém morre e ela escuta os que os vizinhos dizem. A maioria são jovens que se metem com drogas ou ficam devendo para traficantes e entram na lista negra, morrendo logo em seguida. Aí só resta as mães chorando e a cidade fofocando. Interior é isso. Quantas meninas gostam de viver uma vida sem regras e acabam se envolvendo com homens perigosos e gangues, engravidando jovens demais e o pior, correndo perigo de vida?
Fico pensando se essas pessoas não esperam da vida algo melhor. Ou, melhor dizendo, fazem da vida algo melhor. Será que eles não pensam que um dia a juventude vai acabar e eles ficarão velhos (se ficarem!), feios e sozinhos? Que seus filhos nascidos precocemente vão seguir o mesmo caminho e eles sofrerão assim como seus pais morreram de preocupação? Será que não percebem que no final ninguém vai se lembrar deles com boas palavras?
"Morreu pra lá, deixou três filhos", é sempre o que vovó diz. Ela já está acostumada.
"Todas as pessoas solitárias, a quem elas pertencem?" diz a letra de Eleanor Rigby.
Acho isso triste. São pessoas sem ambição. Sem a menor vontade de viver feliz. Eu vou falar a verdade, sou ambiciosa. Quero vencer nessa vida, é ruim? Eu não acho. Ambição comedida faz bem para nós, não aquela desgovernada como vemos nas novelas das oito. Uma vez escutei que nossa sociedade pregava que não deveríamos ser ambiciosos. Eu discordo, acho que no mundo capitalista em que vivemos, é a coisa mais comum. E não é errado. Errado para mim são essas tantas pessoas sem conhecimento e oportunidades que vivem à margem da sociedade revirando as ruas à procura de prazeres mundanos e imediatos. Mal sabem que no fim, é trágico. Quando eu era criança, pensava antes de dormir: "Deve haver algo que me faça ser alguém nesse mundo". Eu ainda penso nisso, e acho que devemos procurar coisas que nos façam ser mais reconhecidos. Para quem corre atrás, é merecido...
Bem, acho que estou ficando existencialista demais.
No mais, eu só desejo oportunidades e reconhecimento para vocês em 2013, seja no trabalho, na faculdade ou na escola, sucesso para todos.
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