E para fechar, vou colocar um pedaço importante da Damanegra, do quarto e quinto capítulo. Boa leitura!
Eu
continuava a andar no breu. Quanto mais andava, mais eu sentia que alguém ia
acabar me encontrando, por isso andava cada vez mais longe do refeitório. Não
conseguia parar de chorar. O que Ellen fez foi humilhante para mim, e para
qualquer um que estaria no meu lugar. Mas agora, eu não sentia mais raiva dela,
só queria me esconder, e desejar nunca mais ser encontrada. Percebi enquanto
andava, que alguma coisa estava errada. Eu já havia feito curvas demais,
descido escadas demais, e de tão escuro que estava, comecei achar que estava
num tipo de subsolo. Para quê uma escola iria fazer um subsolo?
Foi então que eu vi.
Era uma luz que iluminava todo o
lugar que estava escuro. Era uma luz maravilhosa. Era calorosa, bonita de se
olhar e me convidava para me aproximar. No começo era meio fraca, mas à medida
que ia chegando mais perto, ela se tornava mais forte e luminosa. Não sei por
que uma luz estava me fazendo tão bem, mas eu queria chegar mais perto, queria
tê-la, se fosse possível.
Percebi então que estava me
aproximando de um beco sem saída. Ou seria outra coisa? Sim, era outra coisa.
Havia uma porta ali, feita de vidro transparente. A luz brilhava muito e era
tão intensa que meus olhos lacrimejavam. Mesmo assim, não conseguia mais parar
de chegar perto. Ela me reconfortava como se Jane chegasse em mim, me desse uma
abraço e dissesse que tudo estava bem. Mas depois de um tempo, comecei a achar
que estava perdendo o controle do meu corpo. Eu tentava, mas não conseguia
parar de mexer meus pés. A luz era tão convidativa que me seduziu totalmente.
Agora, eu estava diante da porta
transparente. Mesmo com receio, minhas mãos apertaram a maçaneta e a
empurraram. Agora, a luz brilhava mais intensa como nunca. Ele estava se
tornando fluorescente, e eu podia ver o arco-íris através dela. Chegando mais
perto, a luz dançava como ondas aos meus olhos, estava maravilhada. Fiquei ali,
sentindo seu calor. Percebi então, a sombra de alguém, estava se aproximando, e
pela silhueta, não havia dúvidas que era um homem. Nem liguei para ele, mas com
o desvio de atenção, pude ver de onde a luz vinha.
Vinha de uma pedrinha. Ela era
pequena e bem lapidada, se tornando meio oval. A sombra do homem estava bem
perto de mim, mas não dei bola para ele. Eu só tinha olhos para a pequena
pedrinha que brilhava tanto. Eu sabia que estava hipnotizada, e meu corpo
estava se mexendo sozinho, mas eu não dava tanta atenção, queria me sentir
feliz, apenas isso. Então, com um ato sem pensar, passei meus dedos sobre a
pedra.
Ah, que sensação boa, quando meus
dedos encontraram a pedra, eu senti felicidade, leveza, alívio. Eu poderia até
chegar perto de Ellen e não ficar irritada com ela. Espera! Quem era Ellen
mesmo? Sei lá.
Senti que a pedra estava me dando
calor. Isso era bom! Era reconfortante. Mas algo estava errado. A silhueta do
homem fez algum gesto que eu não entendi direito, mas a pedra reagiu. Ela
soltou mais calor. Comecei a sentir meus dedos quentes, e quis tirá-los dali,
mas não conseguia mais, eles não reagiam ao meu comando. A pedrinha estava
rachada, e soltava um calor intenso. Comecei a sentir minha mão queimar, mas eu
não conseguia me afastar de lá, não tinha poder sobre mim mais.
Agora
é sério. Eu estava queimando. Sentia meu corpo enfraquecendo e eu não podia
fazer nada. Aquilo estava virando um pesadelo. Meu braço estava inundado num
fogo imaginário que me atormentava e se espalhava por todo o meu organismo.
Comecei a gritar. Não agüentava mais. Então muito rapidamente, a silhueta do
homem forçou algum objeto na pedra, que me deu outras sensações. Senti-me como
se tivesse mergulhado em água gelada, e sofri um choque térmico violento. A luz
acabara, tudo voltava a ser escuro, e eu me deixei cair, desmaiando mais uma
vez.*
- Ah...
Você acordou, finalmente. – disse, se levantando da cadeira, e se aproximando
de mim. – pensei até que tinha batido as botas, menina.
Nossa! Fiquei muito feliz de
saber que quase bati as botas, mas procurei não pensar nisso. Minha cabeça
ainda girava muito.
- Hunf... Que lugar é esse? –
perguntei, ligeiramente tonta.
O homem demorou um pouco para
responder, coçando a barba, pensando numa boa resposta para me responder. Por
fim, disse:
- Digamos que estamos no meu
laboratório particular. – respondeu, meio sem graça.
Então aqui era um laboratório?
Bem, fazia sentido. O monte de equipamentos muito avançados, os computadores, o
homem de jaleco. Enfim. Pensei em alguma coisa para perguntar para ele, pois
como dava para perceber, era muito estranho eu estar ali. Mas minha cabeça
ainda girava, e eu precisava me sentar. Tentei, mas não consegui. Meus músculos
não agüentavam.
O homem, um pouco sem jeito, me
ajudou a me sentar. Puxou a minha coluna para frente e endireitou minhas
pernas. Eu fiquei olhando para o fundo de seus olhos, sem saber o que dizer.
- Á propósito, meu nome é David
Johnson. – ele disse, por fim, estendendo a mão.
- O meu é Jennifer Montaua. – eu
respondi, com o máximo de educação, apertando a sua mão. E foi assim que nos
cumprimentamos.
Ele se sentou ao meu lado na
maca, olhando para o mini laboratório.
- Você deve estar se perguntando
o que aconteceu.
Olhei para ele. Era verdade, mas
não sabia como perguntar isso.
- Bem, Jennifer, nem eu sei
explicar direito. Mas, você sofreu um acidente muito grave.













