Fiquei pensando em mil coisas para falar no blog, mas confesso que a inspiração não vinha. É incrível como às vezes precisamos de um choque de motivação, fantasia - ou a mais doída - de realidade para que a queridinha venha. Dessa vez veio o choque de realidade mesmo.
Decidi que vou fazer assim: Vou falar um pouquinho sobre as coisas da vida e depois mostrar um trecho da Damanegra. Para vocês terem mais opções de como se divertirem:
Etnias.
Esse é um assunto complicado Porém, nunca vai sair das atualidades. Eu acabei de ver no Facebook a história de uma garotinha negra que tinha que ser escoltada por policiais porque estava sendo muito criticada por estudar em uma escola de brancos. Isso quando, anos 50? Eu fiquei horrorizada, coitada! Mas aí eu vejo também um vídeo de uma mulher negra falando sua opinião sobre as cotas raciais. Uma opinião muito equivocada, devo dizer. Não estou falando em supremacia de etnias, mas sim um racismo contrário. Eu vi muito isso quando viajava para os EUA. Os negros realmente não vão com a sua cara se você é branca ou estrangeira. Os brancos também não. A raças não se misturam, e eu acho isso deplorável.
Vamos incluir os negros nas universidades e escolas? Vamos! Mas façamos isso de uma maneira mas correta, e solidária. A verdade é que os dois lados tem pontos de vistas diferentes. Negros estão cansados de serem discriminados, os brancos hoje tentam reverter o que fizeram. É muito delicado. E os índios que vivem nas reservas? E os que vão ser despejados de suas terras pela usina de Belo Monte? Há muitos que são contra, é errado, mas há outros que acreditam que isso vai melhorar suas vidas. O que eu sei é que meu pai trabalhava em obras, e em muitas delas, havia o despejo de comunidades ribeirinhas. Eles brigavam e brigavam para ficarem com suas terras, mas as casas do governo que os esperavam eram melhores e mais seguras.
Concluindo, acredito que vai ser difícil entrarmos em um consenso. Há muita roupa suja para lavar, e opiniões equivocadas também. Há quem diga que o branco é preconceituoso, e que o negro é preguiçoso ou o índio vagabundo. Mas o que ninguém pode negar é que essas três raças basicamente fizeram do Brasil o que ele é hoje, e nós temos um pouquinho de todas.
Á propósito, essa é a garotinha:
Reparem nos dois guardas rindo dela. Escrotos...
A Damanegra
O quarto era simples e pequeno, mas
era cheio de pôsteres de famosos e gatos como Hugh Jackman. Yes! Eu gostei dele
ali. O quarto também tinha muitos adesivos nas paredes e penduricalhos
femininos, extremamente femininos. Havia
duas camas bem simples, indicando que elas não estavam muito limpas, mas os
lençóis da Barbie alegravam o lugar. As paredes foram pintadas de roxo e branco
recentemente, ainda tinha o cheiro de tinta.
-
Gostou? – perguntou Jane ao meu lado na porta apontando a cabeça para o quarto.
Eu não pude fazer nada além de balançar a cabeça que sim.
-
Eu sei, ficou meio brega pela cor, mas a gente se acostuma – ela disse, sentando-se
na cama da direita, enquanto eu me arrumava na cama da esquerda. Arrumei a mala
e tirei alguns dos meus pertences enquanto minha colega tagarelava sobre os
pontos turísticos que queria me mostrar.
-
Todo mundo diz que devemos ir ao Empire State pelo menos uma vez na vida. Eu
acho aquele prédio tão desinteressante! Depois que você chega ao topo, vai
fazer o quê? Eu... – e assim continuava.
Tomei um banho rápido e
fui direto para a cama, rindo das besteiras que ela dizia. Conversamos por
quase duas horas, trocando informações e descobrindo os gostos em comum, que
eram muitos. Incrível como eu havia me dado bem com todas da república, mas por
ter conhecido Jane primeiro, e dividir o quarto com ela, comecei a me sentir
segura. Aliviada também. Parecia que já estávamos amigas. Eu não sabia se ela
sentia o mesmo ,mas, pela sua simpatia, me senti correspondida.
De repente, eu fechei meus olhos e comecei a
pensar...
Pensar em que diabos ia
acontecer amanhã. Como seria minha primeira segunda-feira num país diferente,
conhecer uma nova escola, novas pessoas, conteúdos, um novo estilo de vida.
Estava quase dormindo quando eu pude ouvir a voz suave de Jane falar ao meu
lado bem baixinho:
- Estou muito feliz de
você dividir o quarto comigo, Jennifer. Me sinto bem com você. Faz tanto tempo
que não divido um quarto.
Minhas bochechas
imediatamente coraram.
-
É mesmo? Eu também. Sabe, às vezes, acho meio estranho, pois estou aqui a...
Menos que um dia.
-
Estranho, não? Não é todo dia que achamos uma parceiragem assim, que se firma
tão rapidamente.
-
Eu espero que ela dure... – disse, quase dormindo.
E
juntas, nós dormimos. Eu me sentia feliz e animada com a minha nova vida nos
Estados Unidos. Mas eu confesso que estava meio com medo. Eu sempre tive medo
de novos desafios, novos obstáculos, sempre me recusei a fazer coisas novas.
Porém agora não tinha mais como voltar atrás, e dormi, esperando o dia de amanhã.
Tive um sonho muito estranho.
Sonhei que estava parada olhando
para uma praia nunca antes vista, era desconhecida. Meus cabelos estavam lindos
e esvoaçantes, cheios de assessórios de ouro.
Minhas roupas eram túnicas brancas e de seda, eu era quase uma deusa. O
mar estava raivoso, se mexendo com ferocidade, e eu senti que era por minha
causa. Mas algo estava diferente.
Até que caí em mim. Eu estava do
tamanho de um gigante! E também percebi que não era o mar que se mexia com
ferocidade, e sim o vento. Senti que podia controlar o vento, e ele se mexia na
direção que eu mandava. Aos meus pés, dois homens sujos, de aparência perigosa,
bem pequenos (acho que eles eram de um tamanho normal, eu que não) corriam com
jóias e outras preciosidades que haviam acabado de roubar. Eu fiquei furiosa, e
ergui os braços. De repente, os ventos mudaram se tornando um tornado e
atacaram os bandidos, que saíram desesperados, deixando as jóias.
Abri os olhos com os sussurros de
Jane.
E agora com licença que eu vou assistir Criminal Minds.
Beijos!

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